segunda-feira, 30 de maio de 2011
Por que o comunismo não daria certo
Foi como o primeiro capítulo de O Hobbit, "uma festa inesperada". Ontem, a República Histeria recebeu visitantes incomuns que simplesmente brotaram diante o nosso despreparo. O Seco estava entre eles. Nunca havia conversado com ele, e o enxergava apenas como um mero companheiro do Ruperto. A razão de nunca termos conversado é que... Felizmente, ele não é de falar muito.
Seco dividia um dos extremos da conflituosa rodinha com o Nazi - cujo o apelido dispensa maiores detalhes. É comum de se ver um jovem comunista por aí, mas é ver um adepto do Nazismo discutindo com esse que torna o negócio exótico. E é aí que as coisas se tornam irônicas.
O mesmo discurso ultrapassado no Marxismo era jogada em um tom mais alto de voz, censurando aqueles que tentavam de alguma forma rebatê-los. Apesar dos pensamentos também babacas do Nazi, nunca o vi tentar convencer alguém de que estão absolutamente certos. Atacado por Seco, Nazi defendeu seu ponto de vista com classe nas poucas oportunidades que conseguia falar.
Não tive o mesmo êxito. Via um papagaio gritando na minha cara o que é de se esperar de qualquer rebelde sem causa. Cuba é um paraíso. Não acredite no que a Fátima Bernardes te diz. Você foi seduzido pelo consumismo e pela mídia. A URSS teria dado certo se não fosse pela burocracia do Stalin. Eu quero é revolução mesmo. Reforma agrária, MST, bla bla bla.
É claro, não dávamos soluções para os problemas da sociedade, mas críticas ao que dizia eram claramente possíveis. No entanto, os ouvidos do Seco estavam tapados por sua arrogância, e talvez, na falta de uma tréplica, tentou finalizar a discussão com "É melhor estudarmos melhor - todos nós - e nos reencontrarmos outro dia para conversamos sobre isso." Note que apesar de ter se incluído, no fundo ele imagina o dia que com ele concordaremos.
E então voltamos ao título do post, que foi algo que falhei em explicar naquele momento.
Nós, como moradores da Histeria, costumamos dizer que vivemos em um comunismo. Apesar do Joe gostar de se ver como tal, não temos na verdade um líder. Aliás, vale ressaltar que a ausência de um Estado é a principal carecterística do Comunismo, e a razão de jamais ter sido alcançado: o que houve foi o período de transição socialista chamada de Ditadura do Proletariado, que persiste até hoje seja na Coréia do Norte, Cuba ou China. Note também que Marx esperava um capitalismo amadurecido para botar suas ideias em prática - como aquele dos países ricos - e que o Comunismo seria apenas uma evolução deste. Aliás, se pensarmos nos países desenvolvidos hoje, os ideais de "esquerda" não costumam aparecer muito.
Enfim, uma república de estudantes é a maior prova de que não daria certo. Na ausência de um poder, a casa se torna uma bagunça. As sábias palavras do proprietário desta casa, Seu Euclides, explicam isso: "cachorro de muitos donos morre de fome". Estamos em condições teoricamente iguais, e ainda assim deixamos para o outro fazer o que não queremos. Para botar tudo em ordem, são necessárias eventuais mobilizações gerais causadas pelo protesto de alguém.
O ponto que quero chegar é: somos humanos; temos necessidades, pensamentos e ambições diferentes. Também não somos perfeitos (leia-se iguais) e a perfeição é o principal requisito para botar em prática uma sociedade utópica.
Não estou dizendo que sou contra a igualdade social. Concordo plenamente com ela - sobretudo a erradicação da pobreza. Também não concordo com o consumismo exacerbado que temos hoje: é um sistema que se resume a escravidão de nações mais pobres. A saída, no entanto, definitivamente não é a revolução. É um sonho jovial, inocente. Acredito que o mundo está sim progredindo, e logo se tornará um lugar melhor. Para acelerar tal processo, basta não ser conivente com a tirania e de fato ir a luta quando se percebe que há algo de errado - corrigir é muito mais fácil do que reescrever.
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Um comentário:
Concordo plenamente com suas palavras desta vez, Che.
Não há discussão com pessoas arrogantes que acham que sabem de tudo e que estão com a razão.
Marx criticava a alienação, e os marxistas se tornaram completamente alienados. Irônico, não?
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