domingo, 29 de maio de 2011

Os perigos de bancar o Caduzinho


Então, ultimamente tenho evitado de fazê-lo. Sempre que me deixo levar, os resquícios de lucidez que sobram em mim gritam para estar totalmente de volta. É aí que eu percebo o quanto esse estado é bom. Adoro ser eu, e adoro manter uma linha clara de raciocínio.

Assistir Waking Life mais uma vez esta noite reforçou esse ponto. O sonho lúcido, cuja a única limitação são os interruptores deficientes - apesar de ter gostado da experiência, o protagonista queria se desfazer dela. Eis o ponto interessante: se há alguma moral no filme, seria "acorde, por que um dia você não conseguirá mais". Compreender a sua própria existência: isso sim é viver, Puta.

Ao abrir a porta, sinto como se ainda não tivesse acabado: duelos de cabos de vassoura, sendo assistidas com farofa e margarina, em um cenário composto de panelas com restos de comida devido as caduzagens anteriores. Fiz o teste com a luz: desligou. A sã Ju o repetiu logo e seguida, sem saber que eu já tinha o feito. Acompanhar o negócio de fora é tão injusto quanto interessante. E as ruínas são visíveis no dia seguinte: a casa tem estado uma bagunça desde que a prática tem sido frequente - que digam as moscas que assassinei enquanto o Nazi passava mal e o resto dormia. Ironicamente, me lembro de uma das frases mais sensatas do Mateus em um destes momentos: "Imaginem se legalizam isso! Não podem legalizar!"

É, pessoal. Não é algo que se faz sempre - ou a Histeria não terá mais Che.

7 comentários:

Renan disse...

Che, meu caro amigo.
Lucidez nada mais é que um estado de espírito.
A diferença entre mim e você ontem é que enxergávamos a mesma coisa, porém com visões totalmente diferentes.
Uma não é ruim e a outra não é boa, ambas são de puro julgamento pessoal.
Receio não poder comentar sobre os tais interruptores funcionando ou não, pois estou por fora desse assunto.
Mas vale ressaltar que a compreensão da própria existência é algo totalmente pessoal e mutável, não algo padronizado e estagnado. Cuidado com o que você entende por "compreender a sua própria existência", Che, Pois as vezes a lucidez é tanta que chega a alienar quem se julga lúcido.

Cecil disse...

Estou sem palavras Puta.

Você precisa escrever aqui.

Bruno (Nuno) disse...

Fiquei impressionado com algumas coisas no blog, apesar de entender apenas parte delas, e estou assistindo waking life pela 3a vez. Parabéns, pretendo virar um leitor assíduo. Ah, Ju, atenda minhas ligações, responda minhas mensagens e meus emails, por favor!!! (caso você adm do blog ver, avise a Ju)

ramon disse...

Che,queridinho.
Já parou para pensar que quando estamos alterados,podemos fazer,escrever,atuar melhor que quando estamos sóbrios ? já parou para pensar quando escritores,cantores e roteiristas dão um ''caduzinho'' e abrem as suas cabeças para escrever e compor?
Talvez ate para ficar mais calmo e esquecer os problemas que temos no dia a dia e apenas concentrar naquilo!
Podemos fazer muitas coisas boas lúcidos mas não significa que alterados iremos fazer coisas ruins ou piores podendo ser até melhores.

R

Cecil disse...

Na verdade, Ramon, a caduzagem só me fez perceber a dualidade entre os mundos, e o quanto prefiro o primeiro - o que não desqualifica o segundo também. Só acho que não é algo que deva ser repetido constantemente.

Renan disse...

Realmente, ficar caduzando constantemente não é uma coisa legal.
Devemos conciliar os intervalos intercaduzinhos.

ramon disse...

Che
Também não sou muito fã fan da arte da caduzagem estou ate dando um tempo,porem não pretendo viver todos os meus dias de fim de semana em apenas sonhos lúcidos!